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Quantas coisas aceita por medo de ficar sozinha?

 
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Há pessoas que aceitam muito mais do que deviam porque têm medo de perder as pessoas que fazem parte da sua vida. Suportam palavras que magoam, desculpam atitudes egoístas, fazem sacrifícios constantes e evitam dizer aquilo que pensam para não provocar discussões. Isto acontece nas relações amorosas, mas também entre amigas e até dentro da própria família. O medo de ficar sozinha pode levar uma pessoa a aceitar comportamentos que, noutras circunstâncias, nunca permitiria.

Com o passar dos anos, este medo pode tornar-se ainda maior. Depois dos 40, 50 ou 60 anos, algumas pessoas receiam que seja demasiado tarde para conhecer novas pessoas, fazer amizades ou reconstruir a vida depois de uma separação. Outras têm medo de perder o contacto com os filhos, de serem esquecidas pela família ou de deixar de ter alguém com quem conversar. Por isso, continuam a dar oportunidades a quem as desilude, aceitam convites que não lhes agradam e estão sempre disponíveis, mesmo quando ninguém demonstra a mesma preocupação por elas. Mas uma relação que só se mantém porque uma pessoa aceita tudo não é uma relação equilibrada.

É importante compreender que estar sozinha não é a mesma coisa que sentir-se sozinha. Uma mulher pode viver sozinha, ter os seus interesses, manter boas amizades e sentir-se perfeitamente feliz. Da mesma forma, pode estar casada há trinta anos, viver rodeada de familiares e sentir uma enorme solidão. Isto acontece quando ninguém a ouve, quando as suas opiniões não são respeitadas ou quando sente que só se lembram dela para pedir favores. Por isso, em vez de perguntar apenas se tem pessoas à sua volta, pergunte a si própria: sinto-me bem com estas pessoas? Posso ser eu própria? Tenho liberdade para dizer não sem recear perder o seu carinho?

O primeiro passo para vencer o medo da solidão é deixar de aceitar tudo para agradar aos outros. Comece por pequenas mudanças. Se uma amiga só telefona quando precisa de alguma coisa, não interrompa sempre os seus planos para a ajudar. Se um familiar lhe faz exigências constantes, explique com calma aquilo que pode ou não fazer. Se alguém a trata mal, diga claramente que não aceita esse comportamento. Não precisa de discutir nem de dar explicações intermináveis. Uma frase simples, como «Hoje não posso» ou «Não gostei da maneira como falou comigo», pode ser suficiente. Observe também quem respeita os seus limites e quem só se aproxima quando consegue aquilo que quer.

Outra solução importante é construir uma vida que não dependa exclusivamente da presença ou da aprovação dos outros. Recupere uma amizade antiga, inscreva-se numa atividade de que gosta, faça caminhadas, participe em encontros culturais ou experimente aprender alguma coisa nova. Não espere ter companhia para fazer tudo aquilo que lhe dá prazer. Comece por sair para tomar um café, visitar um lugar de que gosta ou dedicar uma tarde inteira a si própria. São pequenos passos que ajudam a ganhar confiança e a perceber que pode sentir-se bem com a sua própria companhia. Quanto mais interesses, autonomia e relações saudáveis tiver, menos dependerá de pessoas que não a tratam como merece.

Por fim, não confunda o medo de perder alguém com uma razão para manter essa pessoa na sua vida a qualquer preço. Antes de continuar a fazer sacrifícios, pergunte a si própria o que recebe dessa relação, como se sente depois de estar com essa pessoa e se existe verdadeiro respeito entre ambas. Não precisa de afastar toda a gente nem de tomar decisões precipitadas. Algumas relações podem melhorar através de conversas sinceras e de limites mais claros. Outras talvez precisem de maior distância. Não deixe que o medo de ficar sozinha a obrigue a viver acompanhada por pessoas que a fazem sentir ainda mais só. Merece ter ao seu lado quem gosta verdadeiramente de si, sem precisar de estar constantemente a provar que merece esse carinho.

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