Terapias
Quando ouvimos falar de traição, pensamos quase sempre numa infidelidade amorosa. Mas há outras formas de traição que podem deixar feridas igualmente profundas. Uma amiga que revela um segredo, um familiar que fala mal de nós pelas costas, alguém a quem ajudámos e que nos paga com ingratidão. O que mais dói nem sempre é aquilo que a pessoa fez, mas descobrir que alguém em quem confiávamos foi capaz de nos magoar. A traição torna-se especialmente dolorosa quando vem de quem menos esperamos. Podemos passar anos a apoiar uma pessoa, a ouvi-la nos momentos difíceis, a defendê-la e a fazer sacrifícios por ela. Depois, basta uma mentira, uma atitude desleal ou uma conversa que não devia ter acontecido para começarmos a questionar tudo. Ficamos a pensar se aquela amizade era verdadeira, se fomos ingénuas ou se existiram outros sinais que não quisemos ver. Mas confiar em alguém não é um defeito. A responsabilidade de uma traição pertence a quem traiu, não a quem confiou. O primeiro passo para ultrapassar uma traição é não fingir que nada aconteceu. Muitas mulheres preferem calar-se para evitar discussões, sobretudo quando estão envolvidas pessoas da família ou amizades de muitos anos. No entanto, guardar a mágoa não faz com que ela desapareça. Se for possível conversar com a pessoa que a magoou, explique concretamente o que aconteceu e porque perdeu a confiança nela. Evite entrar numa discussão sobre tudo o que aconteceu no passado. Concentre-se nos factos e observe a reação. Quem reconhece o erro e procura repará-lo merece uma avaliação diferente de quem mente, desvaloriza os seus sentimentos ou tenta culpá-la. Outra coisa importante é perceber que perdoar não significa voltar a confiar da mesma maneira. Pode decidir deixar de alimentar o ressentimento e, ainda assim, manter alguma distância. Se uma amiga revelou um segredo seu, não precisa de voltar a contar-lhe assuntos íntimos. Se alguém se aproveitou da sua generosidade, pode deixar de emprestar dinheiro ou de assumir responsabilidades que não lhe pertencem. Se um familiar a desrespeita constantemente, pode reduzir a frequência dos contactos ou terminar uma conversa quando surgem ofensas. Estabelecer limites não é uma vingança. É uma forma de impedir que a mesma situação se repita. Depois de uma traição, é natural começar a desconfiar de toda a gente. Mas não permita que o comportamento de uma pessoa destrua a sua capacidade de criar relações felizes. Em vez de confiar cegamente ou desconfiar de todos, aprenda a observar melhor. Veja se as atitudes correspondem às palavras, se os seus segredos são respeitados, se a pessoa está presente quando precisa e se aceita ouvir um não. A confiança deve ser construída aos poucos, através de comportamentos consistentes. Não precisa de contar tudo sobre a sua vida, nem de dar acesso à sua intimidade a quem ainda não demonstrou merecê-lo. Por fim, lembre-se de que nem todas as pessoas que fizeram parte da sua vida têm de continuar a ocupar o mesmo lugar. Algumas relações podem ser recuperadas com uma conversa sincera, tempo e mudanças verdadeiras. Outras precisam de distância para que possa voltar a sentir-se em paz. Não tome decisões apenas por raiva, mas também não mantenha uma relação prejudicial só por causa dos anos que passaram juntas. A vida ensina-nos que nem sempre podemos evitar uma desilusão, mas podemos escolher o que fazemos depois dela. E uma das escolhas mais importantes é esta: não deixar de ser uma pessoa boa, mas aprender a proteger melhor a sua confiança. |