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O Solstício de Inverno - a noite mais longa do ano

Este ano, o Solstício de Inverno ocorre no dia 22 de Dezembro, às 4.19. No Hemisfério Norte corresponde à noite mais longa do ano e traz consigo a estação do tempo frio. Saiba que o Solstício de Inverno é, para além de um fenómeno astronómico, uma celebração muito, muito antiga, que presta homenagem ao regresso da luz e ao nascimento do deus sol e que nos lembra que toda a luz nasce das sombras e da escuridão.

O que é o Solstício de Inverno?

A palavra "solstício" vem do Latim "sol sistere",que significa "sol parado" e designa o momento em que o Sol parece estar imóvel sobre a Linha do Equador e os raios solares atingem a sua maior declinação em latitude, a partir da linha do Equador, estando "a pino" sobre o Trópico de Capricórnio. Isto acontece devido à inclinação do eixo de rotação da Terra, que faz com que ela rode sobre si própria com 23,5º de inclinação em relação ao seu movimento de translação - o movimento que a Terra faz ao rodar em torno do Sol. Devido a este fenómeno, durante uma parte do ano a luz solar incide mais sobre o Hemisfério Norte, e durante a outra parte do ano ela alcança mais intensamente o Hemisfério Sul. Os Solstícios marcam o momento em que a luz do sol como que "pára", invertendo o movimento: desde o Solstício de Verão que o Sol se vinha a "afastar" do Hemisfério Norte, e por isso os dias têm sido cada vez mais pequenos. A partir do Solstício de Inverno, o movimento inverte-se, e os dias do Hemisfério Norte serão cada vez maiores, pois receberemos cada vez mais luz solar, numa área maior e durante cada vez mais horas, até ao Solstício de Verão, quando tudo se repete.

Durante o dia 21, quando estiver na rua, observe a sua sombra, pois neste dia do ano as sombras são mais compridas e longas (precisamente porque os raios solares se encontram com uma maior inclinação em relação à Terra). O Solstício de Inverno no Hemisfério Norte coincide com o Solstício de Verão no Hemisfério Sul, porque enquanto que, para nós que vivemos a Norte do Equador, esta será a noite mais longa do ano, para aqueles que vivem abaixo da linha do Equador esta noite será a mais curta, já que será esta parte do globo aquela que recebe a maior parte da luz solar neste dia.

De onde vem esta celebração?

Desde os primórdios da civilização que o Homem se guia e se orienta pela observação dos fenómenos celestes e consequentes respostas da natureza. Assim, o Solstício de Inverno tornou-se desde cedo um acontecimento muito importante para a agricultura, a criação de gado e todos os afazeres domésticos, pois é a partir desta data que os dias se vão tornando maiores, com mais horas de luz solar. A luz do sol representa, na Terra, a vida: sem sol não existe vida. Por isso, o Solstício de Inverno está, nas suas origens, intimamente ligado ao renascimento da luz, à celebração da vida.

Um dos povos que maior importância atribuiu ao Solstício de Inverno foi a civilização Romana, que estava profundamente ligada à agricultura e que prestava homenagem aos seus deuses, pedindo em troca favores e proteção. Assim, para que o Inverno não fosse muito rigoroso com as culturas e as sementes germinassem sob a terra de forma saudável, trazendo uma colheita abundante no tempo mais quente, era celebrado pelos Romanos, neste período, o deus Saturno, protetor das colheitas, numa festa muito importante chamada Saturnália. Esta celebração começava a 17 de Dezembro e estendia-se por sete dias, as pessoas trocavam presentes e visitavam os amigos e familiares durante este período. Pedia-se ao senhor da Luz que protegesse durante o período de trevas do Inverno, para que ele permitisse a germinação de uma boa colheita.

Para os Romanos era também muito importante o culto aos deus Mitra (ou Mithras), um deus luminoso que incentivava os homens a seguirem o seu caminho, combatendo as trevas e defendendo a Luz. Este culto tem origem oriental e chegou ao Ocidente através das legiões de soldados Romanos, entre as quais este deus se tornou muito popular. O seu nascimento era celebrado a 25 de Dezembro, e também neste caso as celebrações coincidiam com o Solstício de Inverno e a exaltação da luz.

No Ocidente, o culto ao deus Mitra acabou por confundir-se com o culto ao deus Apolo, também chamado "Sol Invictus", ou Sol Invencível. O imperador Aureliano estabeleceu no ano de 273 o dia 25 de Dezembro como o dia de nascimento do Sol, primeira divindade e mais importante de todas. Por essa razão, a Igreja Católica fixou o nascimento do Menino Jesus na mesma data, pois esta celebração do nascimento do Deus da luz estava já muito enraizada entre os povos.

A energia do Solstício de Inverno

Para os povos do Norte da Europa o Solstício de Inverno era também muito importante, sendo celebrado numa festividade chamada Yule. Esta celebração relaciona-se com a energia única deste período do ano: a energia do nascimento, a noite mais longa, a partir da qual tudo nasce e progressivamente cresce. Por essa razão temos ainda hoje, nas celebrações de Natal, o hábito de acender velas, como homenagem à luz, e usar pinheiros e azevinhos na decoração - plantas que se mantêm sempre verdes, sempre vivas.

O Inverno representa o período de descanso e recolhimento de que a terra precisa para nutrir as sementes que silenciosamente germinam, e de que nós precisamos para recuperarmos energias, para fortalecermos as nossas reservas e as nossas estruturas interiores. Este é o momento do ano em que o tempo frio convida a ir mais cedo para casa, a passar mais horas no sofá à lareira ou enrolado numa manta quente, a partilhar um chá e um bolo acabado de fazer com as pessoas que amamos e sobretudo a consolidar dentro de nós as nossas convicções a respeito de nós próprios e das metas que desejamos alcançar, daquilo que queremos fazer, do que queremos mostrar à luz do dia, mais tarde, quando chegar o momento certo. Por agora, é tempo de olharmos para dentro de nós e alimentarmos com amor, fé e empenho tudo o que desejamos ser. Porque esta é a noite que fará nascer o esplendoroso dia.

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Publicada a 03/07/2020

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