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Conheça o misterioso simbolismo do pangolim

O pangolim é o animal selvagem mais caçado e traficado do Mundo, estando atualmente em risco de extinção. Acredita-se que foi ele o animal transmissor do vírus SARS-CoV-2, tendo servido de veículo de transmissão entre o morcego, portador do vírus, e o Homem. Os Chineses utilizam as suas escamas na Medicina, e a sua carne é considerada nobre, o que dá azo a um comércio bárbaro. Mas o que talvez não saiba é que, para a antiga cultura javanesa, o pangolim era considerado um animal sagrado. Que poderoso simbolismo tem este animal que está a fazer mudar o curso da Humanidade?

 

O pangolim tem um aspeto invulgar: é um mamífero de pequeno porte, que se alimenta exclusivamente de térmitas e formigas e que tem o corpo coberto de duras escamas, feitas de queratina. É o único mamífero que tem o corpo coberto de escamas, o que faz com que seja tão cobiçado, já que elas são usadas pelo Homem para diversos fins.

Originário do Sudoeste Asiático, costumava ser um animal caraterístico de Java, a principal ilha da Indonésia, em tempos passados. 

O pangolim procura as florestas, passando grande parte da sua vida nas árvores, onde se sente protegido. As suas unhas compridas ajudam-no a escavar até grandes profundidades, o que lhe permite alcançar os ninhos de formigas ou de térmitas, das quais se alimenta. Sem a ajuda do pangolim, a Humanidade estaria infestada de pragas destes insetos rastejantes. Este animal tem um fraco sentido de visão, mas o seu olfacto apurado ajuda-o a encontrar o alimento. São geralmente animais solitários e noturnos.

Não deixa de ser curioso pensarmos que, devido à pandemia transmitida através do pangolim, estejamos agora "enrolados sobre nós próprios", numa atitude defensiva generalizada, na qual as sociedades se fecham sobre si, se isolam, como forma de cada pessoa se proteger a si e como forma de proteger aqueles que são fisicamente mais vulneráveis. 

Apesar de ter o corpo coberto por duras escamas, o pangolim não é um animal agressivo: quando se sente em perigo enrola-se sobre si próprio, formando uma bola - assim como nós crescemos em posição fetal no ventre da nossa mãe, deitando-nos muitas vezes a esta mesma posição quando nos sentimos mais em baixo ou vulneráveis.

Como mecanismo de defesa, o pangolim, antes de se enrolar sobre si próprio, liberta um odor nauseabundo - que visa manter distância dos seus adversários. Na Natureza, o pangolim é caçado por felinos como tigres e leopardos, mas é o Homem a sua principal ameaça. 

O animal emite um odor para afastar os seus caçadores - todos nós, na tentativa de nos protegermos e pararmos a propagação do vírus, procuramos manter distância dos outros, evitando o contágio através das gotículas respiratórias que se transmitem no contacto próximo entre as pessoas.

Existe, assim, uma certa identificação entre as caraterísticas deste animal e o comportamento que somos obrigados a seguir em virtude da pandemia da qual ele foi o transmissor. Foi o Homem que, na sede do comércio, se apropriou desta espécie animal e deu origem a este flagelo - mas o facto de ter sido o pangolim o animal que serviu de veículo de transmissão não deixa de ser curioso, devido às caraterísticas deste animal.

 

Há muitos, muitos séculos, o pangolim era um dos animais mais caraterísticos da ilha de Java, na Indonésia.

De acordo com estudos feitos*, foram encontradas alusões ao pangolim num importante poema javanês de finais do século IX a.C, tendo sido também encontrado um esqueleto de um pangolim de grandes dimensões nos subterrâneos de um templo chamado Candi Nandi, no complexo Prambanan, um conjunto de templos hindus do século IX situados no centro da ilha de Java, na Indonésia. O animal a que pertenceu terá sido uma oferenda aos deuses.

Prambanan, em Java

 

As caraterísticas naturais do pangolim, tais como a sua pele cheia de duras escamas, e especialmente a sua dieta, fizeram com que ele fosse visto, em séculos remotos, como um animal que "afastava o mal" - porque nesta mesma cultura as formigas e as térmitas eram consideradas criaturas malignas, manifestações de forças do mal. Nessas eras remotas, a pele do pangolim já era usada nas armaduras que serviam de proteção aos guerreiros. A ele se atribuíu, desde cedo, o simbolismo de escudo, proteção contra o mal.

Esta imagem retrata uma parede existente no Prambanan. Perto do canto inferior direito, vemos um pangolim enrolado sobre si próprio, numa atitude de auto-defesa. À esquerda encontra-se Rama, um deus hindu.

 

O pangolim era um considerado um animal muito especial e nobre, porque devido às suas caraterísticas ele fazia a ligação entre vários mundos: a esfera aquática, devido ao facto de ter o corpo coberto por escamas, o mundo dos predadores, porque as suas longas garras se assemelham às de uma águia ou de um tigre. Em certas culturas, as unhas compridas são associadas à nobreza. A língua do pangolim é muito comprida, como a das cobras, e o seu menear de cabeça, assim como a marcha das suas patas traseiras, alude a traços humanos. O pangolim é um animal pré-histórico, existindo na Terra há mais de 80 milhões de anos, sendo atualmente o mamífero mais traficado do Mundo.

Uma vez que os seus mecanismos de defesa o protegem dos outros animais, mas não do Homem, não deixa de ser irónica a estranha forma como ele parece resistir, dissuadindo o Homem de o caçar. Irónico é, também, que seja assinalado o dia do pangolim no terceiro sábado de Fevereiro, data criada em 2012 para alertar para a proteção desta espécie. Este ano, essa data foi assinalada a 15 de Fevereiro - 5 dias depois, era confirmado o primeiro caso positivo da Covid-19 na Europa, em Itália.

 

Na cultura Javanesa antiga, as formigas e as térmitas estavam associadas às energias mais baixas. Vivem no solo, o reino das forças do mal, segundo as crenças antigas. Uma vez que o pangolim as consome em largas quantidades, porque se alimenta exclusivamente delas, ele era considerado assim como um "limpador", que bania energias do mal. Haverá, aqui, também, um paralelismo, num momento em que a civilização teve de parar e a Natureza pode respirar?

Estará, aqui também, o pangolim a servir de intermediário entre uma civilização a caminho da destruição e a força da Natureza, tendo obrigado a primeira a parar, revitalizando assim a segunda? Este texto não procura apresentar-lhe verdades - cada um de nós é livre de criar o seu próprio juízo, a partir da reflexão que faz. Ele serve, sim, para o fazer pensar sobre esta situação sob um ponto de vista que talvez lhe tenha passado despercebido ou que não conhecia.

 

A título de curiosidade, saiba também que o morcego, de onde se acredita ter sido originário o vírus, possui um poderoso simbolismo:

- no Ocidente, ele está associado às trevas, à escuridão, às sombras.

- no Oriente e, em especial, na China, ele é símbolo de felicidade e renascimento.

Ele tem, pelo seu aspeto, um simbolismo ambíguo: assemelha-se a um rato, um animal ligado ao submundo, ao lixo, mas tem asas, o que está geralmente associado a leveza e a elevação.

Para os Chineses ele é considerado um animal muito inteligente. O morcego é aquele que consegue atravessar a escuridão, sem ter medo das sombras.

 

Estaremos nós agora a ter de atravessar as nossas maiores sombras? Estaremos a ter de nos fechar sobre nós próprios, como o pangolim, para conseguirmos sobreviver?

Que mensagem está a vida a querer que apreendamos? Que mudanças são necessárias, que tomada de consciência é urgente? 

 

 

* fonte: "Pangolin, Rāma, and the garden in Laṅkā in the 9th century CE : A few notes on a symbolically powerful “anteater”", Jiří Jákl

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